O Quarto do Felino

Supernova Maio 10, 2007

Filed under: Astronomia — Raquel @ 8:52 pm

Foram divulgadas recentemente pela Nasa, imagens onde se pode observar um espectáculo de cores resultante da explosão de uma estrela 150 vezes maior do que o sol. A Supernova aconteceu há milhões de anos mas só agora foi possível apreciar o fenómeno.

Breve explicação: Num sistema binário, de duas estrelas com massas diferentes, a de maior massa evolui mais rapidamente e atinge primeiro a sua fase final. Se ela se tornar numa anã branca – o que acontece em geral, – a outra componente (de menor massa), ao expandir-se para a fase de gigante vermelha, aumenta de volume de tal modo que parte da sua atmosfera pode transferir-se para a companheira. Isto provoca uma instabilidade nas camadas exteriores da anã branca, que origina uma violenta emissão de energia e libertação de matéria para o espaço, o que a torna, durante algum tempo, extraordinariamente brilhante.

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A designação de nova, atribuída a estas estrelas, e ainda em uso, deve-se ao facto de inicilamente se admitir tratar-se de uma estrela que tinha acabado de nascer.

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O termo supernova é utilizado para referir a aparição de uma estrela, em tudo idêntica a uma nova mas de brilho muito superior. No entanto, a razão do fenómeno é diferente. Uma nova resulta da “explosão” de camadas da atmosfera de uma anã branca na qual “caiu” matéria libertada por uma companheira. Por outro lado, a massa da anã branca poderá ser muito superior à massa do Sol, enquanto que a supernova é um acontecimento que implica uma estrela de várias massas solares e o fenómeno da explosão se desencadeia na sua parte central. Para além disso, uma nova atinge um brilho 10 000 vezes superior ao seu normal e uma supernova torna-se centenas de milhões de vezes mais brilante do que no seu estado original.
Uma supernova é o resultado do colapso violento da matéria para o centro da estrela.

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Admite-se que, em cada galáxia, ocorram, em média, duas supernovas por século. A supernova mais famosa foi observada pelos chineses em 1054 a.C., na constelação do Touro, e ainda hoje se observam os vestígios dessa explosão, na região denominada nebulosa do Caranguejo, termo atribuído por se admitir que a disposição dos gases remanescentes sugere a figura desse animal. (in Introdução à Astronomia e Às observações astronómicas).

 

Orionte Abril 25, 2007

Filed under: Astronomia — Raquel @ 6:56 pm

Quando olhamos para o céu coberto de estrelas, numa noite limpa sem a poluição luminosa e atmosférica da cidade, notamos que estas se distribuem de forma irregular, variando a abundância em diferentes regiões da abóbada cesleste. Umas são muito brilhantes, outras mal se vêem, prestando bem atenção reparamos que também possuem cores diferentes: umas amareladas, outras brancas, avermelhadas, alaranjadas e algumas até azuladas!
Para a grande maioria torna-se muito difícil encontrar um desenho ordenado no meio de tal variedade e desordem. Somando o facto de o aspecto do céu mudar de hora para hora e também com a época do ano.
Mas, apesar das dificuldades, o reconhecimento do céu é possível e qualquer pessoa conseguirá fazê-lo. Eu sou uma apaixonada pelo céu estrelado e tudo aquilo que o envolve (mitologia, mistério, descoberta…).
Certamente concordam comigo de que o nosso céu está cheio de belezas extraordinárias e constelações magníficas! Hoje vou aqui expor a que mais me encanta e me deixa horas a olhar para ela… Orionte!
Orionte (ou Orion) é provavelmente a constelação mais óbvia e imponente de todas. Localiza-se a sueste do Touro e é nela que se encontra a famosa nebulosa de Orionte, um dos locais conhecidos onde se processa activamente a formação de novas estrelas. A origem desta constelão é muito antiga.

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É facilmente identificável pois as estrelas que formam os vértices do seu formato quase trapezoidal, Betelgeuse, Bellatrix, Rigel e Saiph, são muito brilhantes. É durante o Inverno que é mais fácil de observá-la. A cortar esse trapézio aparecem um conjunto alinhado de estrelas, parecendo ser três, as quais têm a característica de estarem sobre o equador celeste. Da esquerda para a direita: Alnitak, Alnilam e Mintaka. Estas estrelas também são conhecidas pelas Três Marias ou Três Reis Magos ou ainda Cinturão de Orion, cinturão de onde parece pender uma espada, uma mancha que é a nebulosa de Orionte.

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Lenda: Orionte representa um caçador heróico, armado com uma moca na mão direita; na mão esquerda segura uma pele de leão , como escudo, (existem várias representações gráficas, esta foi a que encontrei…, não está muito concordante 🙂 ) para se proteger do ataque do Touro. Orionte era um caçador vaidoso, que se gabava de poder matar qualquer animal. Acabou por ser mortalmente picado pelo Escorpião. foi colocado no céu em posição diametralmente oposta à do seu inimigo: quando o Escorpião nasce, Orionte mergulha no horizonte, e vice-versa, numa perseguição sem fim.
(Bibliografia: Almeida, Guilherme; “Roteiro do Céu”; 3ª Edição; Edições Plátano; e Almeida, Guilherme; Ré, Pedro; “Observar o Céu Profundo”; 1ª Edição; Edições Plátano; ANC)

 

Cassiopeia Abril 15, 2007

Filed under: Astronomia — Raquel @ 2:18 am

As constelações são regiões da esfera celeste delimitadas por fronteiras que foram definidas em 1928, pela União Astronómica Internacional, de modo a acomodar as figuras que na Antiguidade lhes eram associadas. Esta organização aboliu algumas constelações do passado e reconheceu ao todo 88 constelações, cobrindo todo o firmamento, de tal modo que qualquer ponto da esfera celeste pertence inevitavelmente a uma (e só uma) constelação. Não se pode afirmar que “há 88 constelações”, pois podiam-se ter considerado 50, ou 300, ou qualquer outro número: as 88 constelações resultaram de uma convenção internacional.
A associação de nomes de figuras lendárias às configurações desenhadas pelas estrelas do céu, feita no passado, só aparentemente se pode considerar um procedimento ingénuo. Permitiu transformar um conjunto de pontos “desordenados no céu” numa representação coerente e compreensível.

Hoje falo da Cassiopeia, as cinco estrelas mais visíveis desta constelação, ligadas por traços mais espessos na figura, marcam no céu um “W” (ou um “M”) muito fácil de localizar. A cassiopeia mostra-se nesta posição no início nas noites de verão. (in Roteiro do Céu)

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Lenda:A figura formada pelas estrelas próximas à constelação de Cepheus lembra a duma figura humana sentada num trono – só que de cabeça para baixo. Para os gregos, isso representava a punição por um crime severo e logo associaram essa constelação ao mito de Cassiopeia: a vaidosa rainha da Ethiopia que comparou sua beleza à das Nereidas, filhas de Poseidon. Como punição, os deuses exigiram que sua filha, Andrômeda, fosse sacrificada ao monstro Cetus (uma besta similar a uma baleia) para que seu país não fosse inundado pelas ondas de Poseidon.

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