O Quarto do Felino

Ancestral do Gato Doméstico Julho 10, 2007

Filed under: Curiosidades — Raquel @ 12:03 am

A linhagem dos gatos domésticos foi seguida até um antigo ancestral cujos parentes ainda vivem nos desertos do Oriente Médio hoje em dia. A metamorfose do feroz predador num gentil e dócil gatinho ocorreu há aproximadamente 10 mil anos atrás. Nesta mesma época os humanos adoptaram um estilo de vida agrícola. Portanto os primeiros gatos amigáveis possivelmente agiam como caçadores de ratos para áreas de armazenamento de cereais.

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Stephen O’Brien, geneticista da National Cancer Institute in Maryland (USA), diz: “Pensamos que este foi o início de uma das mais interessantes experiências já feitas em história natural que foi a mudança de selvagem, predador feroz, para uma dócil ratoeira que decidiu mudar sua opinião sobre a humanidade.”

A diferença chave entre ambos é o comportamento. Gatos domésticos vivem em grupos e geralmente não tem medo de humanos. Com uma análise comportamental de um grupo grande e diverso de gatos seria praticamente impossível um grupo internacional de pesquisa voltar-se para a genética.

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Carlos Driscoll do National Cancer Institute e seus colegas analisaram material genético de quase mil gatos, incluindo os domésticos e algumas subespécies selvagens. Eles descobriram que cada grupo dos gatos selvagens eram de subespécies do gato selvagem Felis silvestris . O DNA dos gatos domésticos mostraram-se compatíveis com o de uma subespécie selvagem chamada Felis silvestris lybica, que vive nos desertos remotos de Israel e Arábia Saudita.

Os resultados estão detalhados na versão online da revista científica Science.

Família felina

A linhagem que inclui o gato doméstico e seus parentes selvagens originou-se antes do que se pensava anteriormente, há aproximadamente 139 mil anos atrás. O cientistas especulam que os gatos tomaram, possivelmente, duas rotas diferentes desde o Oriente Médio. Um grupo foi seguido até o Egipto, enquanto o outro viajava da Mesopotâmia à Índia, seguindo para a China e muito depois chegaram ao Japão.

Com relação à data em que os gatos domésticos surgiram, Driscoll diz que não possui dados suficientes para fazer uma estimativa acertada. Para solucionar este quebra-cabeças os cientistas voltam-se para os históricos registos escritos e evidências arqueológicas. Por exemplo, pinturas em tumbas egípcias indicam que há 3.600 anos atrás os gatos domésticos viviam no Egipto, disse Driscoll. E recentemente no Chipre foi descoberto um cemitério onde haviam enterrados um gato e um humano ha´cerca de 9.500 anos atrás.

Um possível grande impulso para a solução deste problema, mencionou O’Brien, será dado quando o sequenciamento do genoma do felino estiver completo.

 

Mafalda – Quino Maio 30, 2007

Filed under: Curiosidades — Raquel @ 11:36 pm

Pode parecer estranho mas a banda desenhada que mais me marcou na infância, sim, na minha infância e início da adolescência, foi a Mafalda do Quino! A Mafalda tem 7 anos e vive em Buenos Aires. Ela odeia sopa e o racismo e preocupa-se com a política.
É a obra mais famosa de Quino, publicada entre os anos 1964 e 1973. Editada em tiras nos jornais, Mafalda questionava todos os problemas políticos, de gênero, e até científicos que afligiam sua alma infantil e, ao mesmo tempo, refletia o conflito que as pessoas da época enfrentavam, sobretudo com a progressiva mudança dos costumes e a já incipiente introdução da tecnologia no quotidiano.
A Mafalda não é somente um personagem de quadrinhos; talvez seja o personagem dos anos setenta na sociedade argentina.
Se, ao defini-la, usou-se o adjectivo “contestatária”, não foi por uma questão de uniformização em relação à moda do anticonformismo a qualquer preço: a Mafalda é realmente uma “heroína iracunda que rejeita o mundo assim como ele é […] reivindicando o seu direito de continuar sendo uma menina que não quer se responsabilizar por um universo adulterado pelos pais” (Humberto Eco).

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A trajetória da Mafalda ilustra-se através de três publicações: “Primera Plana”, “El Mundo” e “Siete Días Ilustrados”. Muito antes da despedida oficial da tira, em junho de 1973, Quino, e ninguém além dele, já tinha percebido que o repertório tinha se esgotado e que não podia insistir sem se repetir.

Ainda hoje não me canso de a ler, e “aconselho-a” a quem ainda não a leu, infelizmente não encontro o meu livro de “Toda a Mafalda” 😦 .

 

Gatinha Pianista Maio 24, 2007

Filed under: Curiosidades — Raquel @ 8:54 pm

Ora para quem gosta do som do piano e adora gatos, nada melhor que ter um dois em um 🙂 . A gata Nora, de três anos de idade, parece estar a tornar-se numa celebridade…, pelo menos no mundo do Youtube.
Nora começou a tocar quando tinha um ano. O casal dono da gata, Burnell e Alexander, ambos da Philadelphia, nos Estados Unidos, contaram a um jornal australiano que um dia escutaram o som do piano quando não havia mais ninguém na sala.

Dizem um dia ter ouvido o som do piano na sala enquanto dormiam, então levantaram-se e desceram as escadas encontrando Nora perfeitamente sentada a tocar piano com as duas patinhas… Ela ficou a olhar para eles na mesma posição e eles incentivaram-na a continuar a tocar. O casal achou muito engraçado, mas nunca pensariam que aquela “miragem” se iria tornar um hábito.

É no mínimo delicioso o ar da gatinha Nora, satisfeita com as patinhas no piano 🙂 .

 

Centenário do Sanatório Sousa Martins Maio 21, 2007

Filed under: Curiosidades — Raquel @ 8:02 pm

Fez neste sábado 100 anos que o Rei D. Carlos I e a Rainha D. Amélia inauguraram o Sanatório Sousa Martins e o Hospital da Santa Casa da Misericórdia da Guarda.

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As origens do Sanatório Sousa Martins remontam aos finais do século XIX, período em que Portugal começou uma luta organizada e metódica contra a doença da tuberculose. O envolvimento da sociedade científica e médica do pais no estudo da climoterapia surge somente depois da célebre expedição científica à Serra da Estrela organizada pela Sociedade de Geografia de Lisboa em 1881, na qual participaram diversos especialistas de diferentes àreas, destacando-se o médico Sousa Martins. A constatação da excelência do clima de altitude na cura da tuberculose, levou o eminente médico a propagandear os seus efeitos benéficos, no prólogo do livro “Quatro dias na Serra da Estrela”. do jornalista Emygdio Navarro, editado em 1884. Sousa Martins divulga, assim, publicamente e sob o aspecto científico, a especificidade do clima da Serra da Estrela. Mas a acção metódica e concertada na luta contra a tuberculose vai ser protagonizada pela Assistência Nacional aos Tuberculosos, criada em 1899, pelo empenhamento da Rainha D. Amélia, do seu médico D. António de Lencastre e de Sousa Martins.
Nos seis anos que se seguiram, a cidade da Guarda desenvolveu uma intensa actividade médica na luta contra a tuberculose, com o Dr. Lopo de Carvalho à frente. A Guarda foi “invadida” por doentes que, temporariamente, aqui residiam ou mesmo estabeleciam e fixavam residência, praticando assim a chamada cura livre – vivência em clima de montanha, sem acompanhamento médico regular ou outros cuidados.
Nos primeiros meses do ano de 1907 a cidade viveu tempos de expectativa. A 18 de Maio seria inaugurado o Sanatório Sousa Martins, o primeiro Sanatório da Assistência Nacional aos Tuberculosos, cuja cerimónia contará com a presença do Rei D. Carlos I e a Rainha D. Amélia.

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Passados 100 anos recriaram-se os mesmos festejos da época, a chegada dos Reis à estação dos Caminhos de Ferro, dirigindo-se de seguida para a Igreja da Misericórdia onde se realizou um solene Te Deum e posteriormente para o Sanatório Sousa Martins, onde se efectuou a inaguração feita pela Rainha D. Amélia.

Eu estive lá e achei que foi fabuloso, todo o clima vivido pela cidade e a vivência dos tempos de há um século atrás. Estiveram todos muito bem, desde o grupo de Teatro Municipal da Guarda a todos os figurantes que participaram por toda a cidade, criando um clima digno da época. Os festejos cumpriram religiosamente o horário, como não costuma ser habitual nos nossos dias 🙂 , finalizando com a agradável notícia da manutenção da maternidade na Cidade da Guarda e a construção do novo Hospital! Os meus parabéns ao Presidente do Concelho de Administração do Hospital Sousa Martins, Dr. Fernando Girão, que com todo o seu esforço e dedicação muito tem feito pelo Hospital e pela cidade!

(Infelizmente esqueci-me de levar a minha máquina fotográfica, mas prometo ainda arranjar uma imagem que mostre o ambiente vivido nos dias de hoje evocando os dias passados 😉 )

 

Persa Tartaruga Maio 17, 2007

Filed under: Curiosidades — Raquel @ 11:02 pm

Hoje vou falar um pouquinho mais da raça de animais que me deslumbra… Os persas! E porque também tenho relativamente perto de mim uma gatinha linda (quase tão linda quanto os meus pequenos 😉 ) com características que tudo indicam ser Persa Tartaruga, hoje é a eles que dedico um pouco do meu tempo.
O Persa Tartaruga é uma raça constituida quase exclusivamente por fêmeas e tem suscitado divergências por causa da sua difícil reprodução: os criadores americanos não os consideram especialmente problemáticos , ao passo que na Austrália e na Grã-Bretanha a desejada combinação de manchas vermelhas, creme e pretas provou ser mas difícil de obter, sendo os bons espécimes bastante raros.

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Os primeiros registos de gatos persas com marcas tartaruga remontam a finais do século XIX, tendo aparecido nas primeiras exposições felinas na primeira década do século XX. Terão nascido de acasalamentos acidentais entre pretos de pêlo longo e tartarugas de pêlo curto.
TEMPERAMENTO: As fêmeas são meigas, dóceis e sossegadas, com uma reputação de serem mães extremosas.
Como a sua correspondente de pêlo curto, esta raça é carinhosamente chamada de “Tortie” (Tartaruguinha).
A CIÊNCIA DA COR: Reproduzir a bela combinação de cores desta raça é uma tarefa bastante árdua, mas alguns criadores consideram que o acasalamento com Persas Pretos ou Cremes tem mais probabilidades de ser bem sucedido.
Até ao próximo…
(Mais em o Grande Livro do Gato de David Taylor, Civilização Editores)

 

O bem que não se tem! Maio 13, 2007

Filed under: Curiosidades — Raquel @ 2:10 pm

Há uns anos que venho constatando que o ser humano é um ser insatisfeito! Nunca está bem com aquilo que tem, a busca pelo ideal é incessante…, principalmente porque não encontra a resposta para a pergunta: o que é o ideal?
Um estudante do ensino superior, por exemplo, nos últimos anos de curso sofre de uma terrível ansiedade por dar o outro passo, passar para o mundo do trabalhador. Já neste lado, começa pela etapa de estágio profissional, que o torna feliz no início porque está a dar um passo em frente, mas que o torna novamente ansioso pelo que irá surgir a seguir! No melhor (muito melhor) dos casos, consegue que a entidade empregadora o contrate e a limitada satisfação volta a renascer, até que muitas outras causas de stress surjam dia após dia. O salário, as férias, as condições de trabalho…, há sempre algo que não está bem, que procuramos que esteja sempre melhor!
Pelo lado positivo, a procura de melhores condições, níveis de satisfação maiores, faz-nos evoluir, crescer e melhorar. Mas o lado negativo aumenta o nosso nível de stress, ansiedade, angústia e possível depressão…
A nível pessoal verifica-se sempre que só se dá valor ao que se tem, depois de já não ter.
Enquanto temos o que temos, queremos sempre mais e melhor, porque não é assim, não faz isto, faz aquilo,… ai se fosse daquela forma…
Conheço muitas situações diferentes, de amigos e colegas, uns têm uma coisa que possivelmente os outros gostariam mais, mas esses mesmos sentem-se insatisfeitos porque se quer sempre mais!
Seria tão mais fácil aprendermos a ser felizes, e deixarem-nos ser. Mas o que é a felicidade? A felicidade é relativa, o que pode ser para mim, pode não ser para outra pessoa.
Se fosse tudo perfeito também não teria graça nenhuma 😉 .

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Coimbra Veste-se de Negro… Maio 4, 2007

Filed under: Curiosidades — Raquel @ 8:22 pm

É numa quinta-feira de Maio que Coimbra se veste de negro. As ruas preenchem-se de capas negras que esvoaçam com cortes de amizade, outras ainda virgens dos caloiros que pela primeira vez a vestem, ou de “drs.” que assim o decidiram. Na minha perspectiva, é lindo de se observar! Não é imperativo que se seja estudante da academia de Coimbra para se sentir este ambiente de união, mas quem o é sente-se eufórico por aqui pertencer!

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A Serenata monumental na escadaria da Sé Velha marca o início desta festa dos estudantes. A cidade enche-se de vida, recordações, alegria e saudade juntam-se, nesta noite, à cor das fitas em riste. Não faz parte do reportório desta serenata, mas é uma das músicas que mais me marcou e marca no meu percurso coimbrão:

À meia noite ao luar
Vai p’la rua a cantar
O boémio e sonhador
E a recatada donzela
De mansinho abre a janela
À doce canção de amor

Ai como é belo
À luz da lua
Ouvir o fado
Em plena rua

Sou cantador
Apaixonado
Trinando as cordas
A cantar o fado

Dão as doze badaladas
E ao ouvir-se as guitarradas
Surge o luar que é de prata
A recatada donzela
De mansinho abre a janela
Vem ouvir a serenata

Estudantina de Coimbra

Um pouco de história: “Ao longo das gerações, gerou-se e desenvolveu-se em Coimbra um conjunto de tradições académicas ao qual se deu o nome de praxe.
Aquando da instalação da Universidade, notou-se de imediato uma diferença no viver citadino do autóctone e dos estudantes.
El-Rei D. Dinis ordenou que, quem não fosse estudante não poderia penetrar na actual “Alta” da cidade, o que corresponde à parte acima da Porta de Almedina. De igual forma, ordenou também as horas de estudo, determinadas pelo toque do sino grande da Sé, que bradava três vezes.
Desta forma se dividiu a urbe, a Alta, corresponde à parte estudantil, a Baixa era habitada por comerciantes e artesãos.O que ainda hoje persiste, inalterável, do passado é o toque do sino para as aulas. Pitorescamente foi chamado de “Cabra”, uma vez que o som emitido não era o mais querido dos estudantes. Para além de anunciar as aulas, a “Cabra”, determinava também a hora de recolher a casa para o estudante. Entre as 18:00 h e as 7:00 h nenhum estudante podia ser encontrado na rua, caso contrário, a polícia universitária (actuais archeiros), detia o estudante e conduzia-o à cadeia académica.”